Desde os anos 80, Gérard e Margi Moss têm viajado pelo Brasil e pelo mundo afora em aviões leves, a baixa altitude, observando as paisagens que passam debaixo de suas asas.
Vendo o mundo de cima, perceberam a fragilidade dos rios acuados, o avanço teimoso da desertificação, as feridas abertas pelas queimadas nas florestas, os povos se tornando refugiados ambientais, e resolveram agir.
Escolheram, especificamente, o tema Água. Ironicamente, é do ar que conseguem “explorar” o ambiente aquático de uma forma que alia a tecnologia de ponta à geográfica e à aventura de viver.
Aplicaram os pontos fortes da aviação leve – acesso a regiões remotas, voar baixo, ponto de observação móvel, plataforma fotográfica estratégica – a serviço da causa, trabalhando em parceria com renomados cientistas brasileiros.
O céu é um ambiente no qual Gérard fica bem à vontade. Piloto privado com cerca de 5 mil horas de vôo, ele concilia a paixão de voar com a curiosidade técnica de engenheiro, para idealizar projetos ambientais, nos quais, um avião é muito mais eficaz para realizar o trabalho do que uma pessoa em terra. Uma vantagem a mais num país do tamanho do Brasil.
Com a experiência rara de ter pilotado um pequeno avião duas vezes ao redor do mundo, nas condições mais diversas e adversas, uma presença de espírito calma e metódica ajuda na hora de acariciar as turbulentas nuvens cumulus-nimbus para coletar amostras em voo.
Margi, caneta e máquina fotográfica na mão, é companheira nesses voos audazes e, às vezes, exaustivos. Licenciada em Letras, apaixonada pela natureza desde sua infância, entre os leões e elefantes quenianos, ela não se incomoda de enfrentar as tempestades pelo caminho ou dormir ao relento. Ela capta imagens que destacam os contrastes e imagens, sejam elas chocantes ou enigmáticas e, muitas vezes, simplesmente lindas e emocionantes. “É a Natureza que faz as fotos, eu apenas aperto o gatilho,” alega, transformando o visual num escrito carregado de emoções, de forma leve e descontraída, que nos convida a fazer parte de cada momento.
Naturalizados brasileiros, Gérard e Margi moraram 25 anos no Rio de Janeiro, no bioma Mata Atlântica. Em 2006, mudaram-se para o bioma cerrado no coração do país, em Brasília, de onde nos convidam a entrar nos voos, participar e descobrir a origem das nossas chuvas trazidas pelos rios voadores.
Sempre à procura de um aeroporto.... Foto: Elza Moraes Andrade
Voo atravessando a cordilheira dos Andes, entre Bariloche e Puerto Montt. Dando uma volta ao vulcão Osorno. Foto Juca Fernandes
Passeio em avião Pilatus, com esquis, que pousa no glaciar do Mount Cook, Nova Zelândia.
Apesar de passar nosso tempo trabalhando com a água, parece que estamos sempre procurando so desertos como lugar de passar férias! Namíbia, Patagônia...!
Horizontes infinitos, visibilidade nítida, sol, céu azul. Eis la puna argentina. Belíssima.
Um pleno deserto da puna argentina, surpreendentes piscinas de água azul, los Ojos del Mar, perto de Tolar Grande.
De volta à neve, um passeio pela Noruega... no verão!
Brincando na areia avermelhada das dunas de Sossusvlei, Namíbia.
Um outro ambiente favorito: o Pantanal.
Na Chapada Diamantina, BA, com o fiel companheiro Rafiki.
Em épocas e terras distantes: 1991, acampados na pista de Harts Range, na Austrália, durante a volta ao mundo.