A pesquisa que está sendo realizada pelo Projeto Rios Voadores, em sua segunda etapa, vai novamente incluir a coleta de amostras de vapor da água na atmosfera em várias partes do Brasil. Desta vez, além da análise isotópica das amostras, haverá um trabalho levado a cabo junto com uma equipe climatológica, para uma interpretação mais abrangente dos dados. Em alguns casos, será possível usar os resultados das análises isotópicas para validar dados climatológicos conseguidos através de modelagens.
Com isso, o que queremos examinar não é apenas a interação dos ventos, da umidade, da chuva em certo dia, em certo local, mas ter uma visão global. Quais eram os ventos predominantes nos dias que antecederam a coleta, por exemplo? Quanto foi a quantidade de água precipitável em cima de tal cidade com a passagem de um rio voador?
A análise isotópica visa determinar uma assinatura isotópica através do fracionamento de O18/deutério, que ajuda a identificar a origem desta água: da evaporação direta do oceano, da transpiração da floresta amazônica ou da evaporação do Pantanal, por exemplo.
A parceria com o CPTEC/INPE também vai gerar novos produtos que serão disponibilizados em tempo real no site do projeto. Cada uma das cidades selecionadas (onde será realizado o programa educacional), terá uma página exclusiva no site onde sua comunidade poderá acessar:
1) a origem do vapor de água que se encontra acima da cidade: se a fonte da chuva veio da Amazônia ou do oceano Atlântico, por exemplo;
2) o balanço hídrico-atmosférico que quantificará o vapor de água que entra e sai da região monitorada;
3) a análise da origem da chuva, identificando se ela advém da evapotranspiração local ou de fonte proveniente de outra região.
Para saber mais sobre a coleta das amostras no ar, leia Metodologia
Veja abaixo imagens que mostram o equipamento da pesquisa e como é instalado a bordo do avião
Gérard aponta o filtro coletor instalado na janelinha do avião, por onde é sugado o ar externo que será amostrado. Foto: Tiago Iatesta
Dr. Marcelo Moreira, do CENA, prepara o equipamento de pesquisa.
Interior da cabine do avião monomotor, mostrando o equipamento da pesquisa instalado. Gérard pilota o avião. Foto: Tiago Iatesta
O recipiente de vidro com a mistura de gelo seco amassado com álcool, para onde será canalizado o ar externo para condensação. Foto: Gérard Moss
O equipamento em ação, recebendo o ar externo que passa pela mistura de gelo seco amassado com álcool. Foto: Gérard Moss
Tiago Iatesta anota cuidadosamente todas as informações relevantes à amostra: dia, hora, coordenadas geográficas, tempo de coleta. Foto Gérard Moss
O tubinho de vidro onde é coletada a amostra de vapor de água condensada. Foto: Tiago Iatesta
O tubinho de vidro dentro do recipiente contendo gelo seco amassado com álcool. Foto: Tiago Iatesta
O espectrômetro de absorção a laser onde as amostras são analisadas, no CENA, Piracicaba, SP. Foto: Geraldo Arruda Junior.