Desde a década de 1990, Gérard e Margi Moss têm viajado pelo Brasil e pelo mundo afora em aviões leves, a baixa altitude, observando as paisagens que passam debaixo de suas asas.
Vendo o mundo de cima, perceberam a fragilidade dos rios acuados, o avanço teimoso da desertificação, as feridas abertas pelas queimadas nas florestas, os povos se tornando refugiados ambientais, e resolveram agir.
Escolheram especificamente o tema Água. Ironicamente, é do ar que conseguem “explorar” o ambiente aquático de uma forma que alia a tecnologia de ponta à geográfica e à aventura de viver. Aplicaram os pontos fortes da aviação leve – acesso a regiões remotas, voar baixo, ponto de observação móvel, plataforma fotográfica estratégica – a serviço da causa, trabalhando em parceria com cientistas brasileiros de renome.
Em 2003/2004, realizaram o Projeto Brasil das Águas, um projeto inédito que utilizou um avião anfíbio para coletar mais de 1.160 amostras de água doce de corpos de água espalhados em todo o Brasil – rios, lagos e reservatórios. Voaram 120.000 km durante os 14 meses do projeto, o equivalente a mais de duas voltas ao mundo.
Baseado nos resultados obtidos pelas análises das amostras feitas por pesquisadores em várias instituições em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, foi possível desenhar um mapa mostrando a saúde das águas doces no momento da coleta e identificar ambientes não contaminados para que possam ser conservados.
Agora, com o Projeto Rios Voadores, mais uma vez aliam o uso de um avião pequeno à busca de amostras nos cantos distantes do Brasil. Mais uma vez também, se aliaram a gurus do conhecimento científico brasileiro, tanto em estudos isotópicos quanto em climatologia (veja Equipe Científica), para divulgar o fenômeno dos rios voadores e a sua importância para um futuro regado a água de chuva para o Brasil.
Viajar é uma grande aula de vida. Com os olhos bem abertos, aprendemos muito sobre nosso mundo.
Gérard pilota o monomotor Sertanejo em cima da Amazônia para coletar amostras de vapor de água. Foto: Tiago Iatesta
No projeto Brasil das Águas, foi preciso combinar o uso de um hidroavião ultraleve e um Landrover para alcançar alguns pontos no sul do país.
O Lake Renegade, um robusto avião anfíbio de fabricação americana, tornou possível o objetivo de alcançar os recantos mais distantes do Brasil para a coleta de amostras de água doce. Foto: Margi Moss
No projeto Sete Rios, colocamos o barco no Rio Ibicuí bem cedo pela manhã para continuar a navegação rumo à foz. Foto Margi Moss
Na Serra dos Parecis, MT, à procura do nascente do Rio Guaporé, uma parada para consultar o GPS. Foto Margi Moss
O xis da questão. Derrubar a floresta e arriscar mudando drasticamente o regime de chuvas do país, ou usar terras já degradadas para o plantio? Foto Margi Moss
Se na música Sobradinho, a preocupação é o sertão virar mar, precisamos de uma música sobre a calamidade atual que é o Pantanal virar carvão. Foto Margi Moss
No arco do desmatamento, o avanço implacável das derrubadas e queimadas. Rondônia.
Margi, câmera fotográfica em mãos, sempre pronta para a próxima aventura. Foto: Gerard Moss
A remoção da mata ciliar e da vegetação do cerrado em geral, deixando a terra exposta, é sentida nos rios: aqui, um assoreamento tão crítico que o leito do rio passando pela várzea sumiu. Foto: Margi Moss
Ao nascer do sol, já estávamos navegando pelo remoto rio Guaporé, que forma a fronteira do Brasil com a Bolívia. Foto Margi Moss
Observar um desmatamento ou uma queimada do ar é algo triste. Caminhar entre as cinzas dos árvores queimadas é algo que impressiona e dói no coração. Foto Tiago Iatesta