O Projeto Rios Voadores pesquisa, por meio da análise de amostras de vapor de água coletadas em um pequeno monomotor, as massas de ar que provêm da Amazônia trazendo umidade para outras regiões do Brasil. Essas massas de ar são conhecidas hoje como rios voadores.
Há três décadas, cientistas brasileiros, liderados pelo Prof. Eneas Salati, reconhecem e estudam os rios voadores, mas só agora, no século 21, é que nasceu uma idéia com asas para tentar aprofundar o conhecimento sobre o fenômeno. (Para entender mais sobre os rios voadores, clique aqui.)
Estudos recentes têm mostrado uma ligação significante entre o sistema climático amazônico e aquele sobre a bacia do Prata. Poucos pessoas conhecem a existência do transporte do vapor d’água por massas de ar que aqui estamos chamando de rios voadores. O volume de vapor de água transportado por esses rios voadores pode ser maior que a vazão de todos os rios do centro-oeste e ter a mesma ordem de grandeza da vazão do rio Amazonas (200.000 m3/s).
O projeto, idealizado por Gérard Moss em colaboração com Prof. Salati, busca identificar a origem do vapor de água transportado pelas massas de ar vindos da Amazônia e quantificar o papel da evapotranspiração da floresta amazônica nas chuvas que caem nas regiões mais ao sul.
Na primeira fase do projeto, realizada entre 2007-2009, foram coletadas 500 amostras de vapor de água de várias regiões do Brasil, principalmente da Amazônia. Estas amostras foram analisadas pelo CENA (Centro de Energia Nuclear na Agricultura) da USP, Piracicaba, SP.
Na segunda fase, que conta novamente com o patrocínio do Programa Petrobras Ambiental, será possível avançar nos estudos, interligando os resultados das análises com as condições meteorológicas regentes na hora da coleta. É um trabalho complexo e a melhor forma encontrada para avançar nas pesquisas é justamente unindo forças. A análise das amostras de água no CENA é estudado com a forte colaboração da equipe no CPTec.
A segunda fase também dará ênfase à educação. Foram escolhidas seis cidades-chave ao longo da rota dos rios voadores: Brasília (DF), Chapecó (SC), Cuiabá (MT), Londrina (PR), Ribeirão Preto (SP) e Uberlândia (MG). Nestas cidades, haverá um projeto reforçado em parceria com autoridades locais para inserir uma aula sobre os rios voadores nas escolas municipais da rede pública, com oficinas de treinamento dos professores e fornecimento de material didático.
A expedição Rios Voadores faz parte do Brasil das Águas, projeto que, desde 2003, busca chamar a atenção do público para a saúde dos rios brasileiros.
Galeria de fotos que mostra a essência do projeto
No início do projeto, Gérard Moss e prof. Enéas Salati conversam sobre as melhores estrategias para coletar as amostras de vapor de água. CENA, Piracicaba, SP.
Gérard aponta o filtro coletor instalado na janelinha do avião, por onde é sugado o ar externo que será amostrado. Foto: Tiago Iatesta
Gérard pilota o avião acima do oceano Atlântico a mais de 50 km da costa brasileira, na altura da foz do Rio Amazonas, para coletar amostras de vapor de água sem traços de evapotranspiração da floresta. Foto: Bernardo
Nas operações para coletar amostras, vamos raspando as bordas das nuvens. Foto Gérard Moss
Tiago Iatesta anota cuidadosamente todas as informações relevantes à amostra: dia, hora, coordenadas geográficas, tempo de coleta. Foto Gérard Moss
Filmagem em voo de coleta de amostras para reportagem sobre o projeto. Foto Tiago Iatesta
Chuva sobre areas de cultivo de cana de açuzar no interior de São Paulo. Foto: Tiago Iatesta
O desmatamento e as queimadas que, ao destruir a floresta, podem terminar prejudicando o regime de chuvas do Brasil. Foto: Tiago Iatesta